quinta-feira, 22 de março de 2012

As 18 Runas "FUTHARKH"

Abaixo uma breve tradução de um dos trabalhos de Guido von List, em um trabalho entitulado de:
As 18 Runas "FUTHARKH", com suas Interpretações Místicas.


Até agora, muito pouca atenção foi dada ás inscrições dos nossos ancestrais germânicos – as Runas. Isso começou pelo motivo de todos acharem que os Povos Germânicos não possuíam manuscritos de nenhum tipo, e até mesmo seus símbolos de escrita foram – as runas – padronizados de modo imperfeito após a escrita uncial latina. Tudo isso a despeito do fato de que Júlio César claramente reportara a respeito dos livros de “Helfetsen” (não Helvetier) e sua escrita, de que seriam supostamente comparáveis à escrita grega. Sem tentar evidenciar sobre a grande antiguidade da existência rúnica – que foram encontradas em artefatos de bronze e em fragmentos de cerâmica – deve ser mencionado que nessa época o “FUTHARKH rúnico ” (alfabeto rúnico), que consiste em dezesseis símbolos de tempos antigos. Mas que de acordo com o Edda , no “Rúnatáls-thatr-Odhins”, consiste em dezoito desses símbolos.

Com esses símbolos, tudo poderia ser escrito, pois os antigos Teutões não conheciam “v”, “w” ou “x”, ou também “z” ou “qu”. Assim como também não conheciam “c”, “d” nem “p”. Desse modo “v” era escrito por “f” (fator=father); “v” e “w” originados de “u”, “uu”, “uo” ou “ou”; “x” por “ks” ou “gs”; “z” era provavelmente pronunciado, mas grafado pelo “s”. o “qu” era originado de “kui” ou “gui” e “c” do “ts”; o “d” provinha do “th” (thorn). O “p” se desenvolvera do “b”, até que mais tarde ganharia sua própria runa, assim como outros sons gradualmente foram ganhando suas próprias runas especiais, até que haveriam por volta de trinta runas.

Se desejares traçar de onde a raiz lingüística deriva, volte para a raiz das palavras dos primórdios das Línguas Germânicas, e então volte mais pra trás na “semente” – e em palavras primitivas da Linguagem Ariana Original, que devem ser sempre escritas em runas – ou ao menos ter esse modo de escrita na tua rente. Dessa forma podes achar a origem correta, e nessa empreitada, o próprio nome da runa vai ser de grande ajuda.

Atualmente cada runa tem – de modo similar ao alfabeto grego – um nome próprio, que é ao mesmo tempo apoiado na palavra raiz, que por sua vez brota de uma palavra primitiva. Deve ser notado que nomes rúnicos são palavras monossílabas, portanto: raiz-, origem- e palavras primitivas. A essa regra aparentemente só se excluem as runas “Hagal”, “Gibor” e “Othil”.

Devido as runas terem nomes particulares e esses nomes serem palavras monossílabas, se torna evidente que as runas – em um passado distante – tinham a função de escrito silábico, como um sistema de hieróglifos. E isso se deve ao Ariano primitivo, assim como qualquer linguagem primitiva, era monossilábico, e que somente tempos mais tarde seriam concentrados em uma forma de “alfabeto”, onde a estrutura da linguagem provou que o sistema hieróglifo ou silábico seriam demasiadamente pesados.

Agora que as runas foram reconhecidas como palavras-símbolos de uma era pré-histórica, a questão das outras palavras-símbolos que não se encontram no FUTHARKH se torna conseqüente. Mesmo que uma escrita de palavras-símbolos fosse extremamente pobre – coisa que a escrita da Linguagem Ariana não é – seria necessário o uso de muito mais símbolos do que os trinta e poucos glifos. De fato – a escrita ariana – prescreveu centenas de símbolos e um número superior de símbolos escritos, com base extremamente elaborada, maravilhosamente sistemática e organicamente construída em estrutura hieroglífica, cuja existência não fora até hoje considerada. Por mais inacreditável que isso possa parecer, essa raiz hieroglífica tem sua raiz muito antiga, em tempos pré-cristãos, na primitiva era dos Teutões – até mesmo nos primórdios arianos – e está em pleno crescimento nos dias de hoje. Eles buscam sua própria ciência – que ainda hoje é praticada – e sua própria arte, onde ambas tem suas próprias leis e estilísticas tendências. Esse sistema possui uma rica literatura, mas sem – em aspecto tragicômico – os guardiões e conservadores dessa arte e ciência, que não possuem idéia alguma do que estão cultivando ou desenvolvendo.

Por ter havido – e ainda haver – centenas de símbolos rúnicos, seu número exato continua sem ser finalmente determinado. De qualquer modo, tirando todo o resto, somente trinta vieram a uso como letras, no mesmo sentido dos modernos símbolos de escrita. Em nosso tempo, dois grupos principais resultaram desses símbolos de escrita: as “letras-rúnicas” e as “runas hieroglíficas”, sendo que ambas foram preservadas em seus modos únicos e que ambas através de seus próprios caminhos de desenvolvimento após a separação conseguiram se completar.

Todos esses símbolos foram runas, mas hoje somente as “letras-rúnicas” carregam tal designação, enquanto as “runas hieroglíficas” desse ponto em diante passaram a não ser mais reconhecidas como símbolos de escrita. Por causa dessa diferenciação serão referidas como “símbolos sagrados” ou “hieróglifos” de agora em diante. Deve ser notado que a palavra “hieróglifo” já era importante na antiga Linguagem Ariana como “hiroglif”, e já possuía significado mesmo antes da linguagem grega ter existido.

As “letras rúnicas” – que de agora em diante, por causa da brevidade serão chamada somente de runas – pararam seu desenvolvimento e mantiveram não só suas simples formas lineares como também seus nomes monossilábicos. Por outro lado, os “signos sagrados” foram continuamente desenvolvidos sobre as bases das velhas formas lineares, eventualmente formadas sobre refinadas e ricamente construías ornamentações. Foram também submetidas a diversas alterações tanto nas suas nomenclaturas como no conceito que simbolizavam, e que ainda simbolizam hoje. Foram ampliadas e aperfeiçoadas a partir da linguagem. A lei mítica de “Rúnatáls-tháttr-Ódhin” – (“Sabedoria Rúnica de Wotan” ou literalmente, “Conto da lista rúnica de Odhin”) – reconhece as dezoito runas como “símbolos de escrita”; de qualquer modo, elas ainda carregam sua herança como “signos sagrados” no mesmo sentido dos mais tardios “caracteres mágicos” ou “sigilos espirituais” (mas não “selos”!). [...]

segunda-feira, 12 de março de 2012

MITOS DO JUL – PARTE I - PELZNICKEL


Não estamos na época do Jul, mas o texto abaixo serve para abrir nossos horizontes e possamos aos poucos introduzir essas ideias nas nossas celebrações em família, relembrando o que os nossos antepassados passavam e viviam.



Nicolau. É assim que muitos alemães mais antigos da parte germânica do Sul do Brasil chamam o tal do “Papai Noel”. O nome vem dos países falantes da língua germânica. São Nicolau é como os alemães católicos o chamam – baseado no bispo que criara a figura do “Papai Noel”. Mas o bispo de Mira, São Nicolau, nada mais era que um estrangeiro – turco – cristão que trazia a deturpação de uma cultura germânica. São Nicolau criara a figura do Papai Noel sobre o germânico Pelznickel.

Pelznickel – ou Pelznikel, ou Belznickel, ou Belsnickel – é um personagem comum aos povos germânicos viventes ao longo do rio Reno. Seu nome tem diversas origens, assim como o personagem. Da junção das palavras alemãs Pelz – Pelz = pele (como as de animal, com o couro), ou do antigo alemão “pelzōn” ou “belzen” que também significaria esfolar – e da palavra Nickel. Essa última que possui diversas especulações de origem. Uma delas seria o próprio nome do personagem, algo como “Nikel cobrto por peles” ou “Nikel esfolado”, uma vez que a criatura era vista como um monstro coberto de peles e de mato. Outra especulação é dada pelos cristãos de que Nickel vem de Nicolau, o que percebemos ser mentira, já que o Pelznickel existia muito antes dos cristãos espalhaem suas mentiras e deturpações. E por último, o próprio níquel, metal usado para cunhagem de moedas desde os tempos remotos devido a ser confundido com a prata.


Figuras comuns na região de Brusque e Guabiruba, em Santa Catarina.

Região colonizada por colonos vindos de Baden, sudoeste alemão.



O Pelznickel, originalmente, seria uma criatura que caçava crianças desobedientes e as levava num saco – esse mito não existe somente em países germânicos, uma vez que nos países latinos se conhece o Velho do Saco. Deste modo, o Pelznickel era representado por uma figura bizarra, sem face definida, coberta de peles esfoladas, mato e folhagens mortas e até teia de aranha, com chifres de bovinos, veados ou até mesmo galhos de árvore – o que era comum numa época em que se vivia perto das florestas e se precisava de uma desmotivação para que as crianças não adentrassem a floresta. Outras imagens do Pelznickel foram criadas com o passar do tempo e/ou com a mudança do ambiente, assim como as especulações da origem do personagem ou do nome do mesmo.

Um Pelznickel menos animalesco, mas igualmente assustador, também é de conhecimento. Ao invés das peles e folhagens, roupas de retalho sujas e panos ou capuzes escondendo o rosto deformado. Ao invés de chifres ou galhos, garras afiadas e correntes ou cordas. Uma imagem muito mais “humana” – ou hominídea, ao menos – teria surgido para assustar as crianças sobre a presença de estranhos, forasteiros e andarilhos (como por exemplo, os judeus comerciantes, que se vestiam com roupas diferenciadas e geralmente sujas devido às peregrinações) – “estranhamente”, esse fato ocorrera também nos países latinos, já que o Velho do Saco tomava uma aparência quase cigana, pois o povo Rom ganhavam fama de ladrões e trapaceiros nessas regiões e mitos precisavam ser criados para alertar as crianças sobre os povos estranhos que possivelmente os causava medo.

O nome ligado ao metal níquel poderia ter também saído dessa nova versão vestida em trapos, uma vez que por serem andarilhos ou comerciantes, andariam com os bolsos de seus trapos cheios de moedas de níquel – seja por confusão, uma vez que o metal era comumente confundido, ou pela idéia de falsificar moedas de prata. Os “Peles-de-Níquel” então poderiam estar sendo representados por uma pessoa vestida em trapos que carregava uma corrente, já que o metal raspando no chão teria um tilintar confundível com as moedas dos comerciantes.


Descendentes de alemães na Pennsylvania, EUA




Região da Alsácia, França, divisa com a Alemanha



O Pelznickel fora provavelmente criado para fazer com que as crianças obedecessem a seus pais, e mais tarde para que ficassem com medo de estranhos. Os cristãos então resolveram mudar isso, resolveram criar um velho bonzinho, que ao invés de levar as crianças malvadas embora, davam presentes às boas (sendo que as más acabavam ganhando também), mais tarde não teriam medo de estranhos – uma vez que São Nicolau de Mira era proveniente da região que hoje forma a Turquia. Desse modo, as crianças ao invés de buscar por boas ações e ajudar seus pais, buscavam de modo egoísta por presentes – o que perdura até hoje – e não tem mais medo de pessoas estranhas, caso elas se mostrem amigáveis e dêem presentes ou balas – o que deixa muitos padres e velhos safados muito felizes com a idéia até mesmo hoje em dia.

A lenda ainda existe em outras regiões. Assim como o Velho do Saco latino, existe o Krampus na região alpina da Europa, como na Bavária, no Tirol e até mesmo na Hungria. Embora seja visto pelos alemães como um personagem diferente, o Krampus se mostra como uma nova versão da criatura que carregava as crianças más. Para os católicos alpinos, Krampus acompanha São Nicolau, punindo as crianças malvadas que não ganhariam presentes, levando-as pra casa num saco para devorá-las no natal. Diz-se que o Krampus seria como os sátiros dos gregos – conhecidos também por “Satyrs” – mas tendo uma enorme língua pra fora em substituição a um enorme pênis que os sátiros normalmente possuíam. Uma criatura maléfica seguindo uma criatura tida como “benéfica”, seria isso uma desculpa cristã pra explicar possíveis atos ruins da igreja ou de Deus para com as crianças? Seria a língua suja e enorme uma máscara para a pedofilia, uma vez que os sátiros usufruíam de seus enormes membros eréteis em orgias com ninfas do mesmo modo que vemos a pedofilia tomar conta da igreja nos dias de hoje? Podemos lembrar que o Krampus existe numa região onde a cultura do mito cristão é a mais forte em toda a Alemanha.


Krampus e sua língua fálica assustando uma criança indefesa em tempos modernos



Se o Pelznickel, o Velho do Saco e o Krampus seriam os mesmos personagens, é difícil afirmar. Mas podemos notar, que como em todo mito germânico não alterado, que foram criados para educar as crianças com a única coisa que pára sua curiosidade: o medo. O mesmo medo, que depois de superado inspira a criança a ter força e coragem para superar os desafios futuros, fazendo com que dêem risadas, noutros tempos, das dificuldades que já tiveram outrora. Ao contrário do Papai Noel cristão, do São Nicolau, que incita as crianças a serem possessivas e achando que tudo que fazem será recompensado por uma criatura do além, e que quando crescem vêem que não é tão simples assim que funciona, fazendo com que a única coisa que saibam fazer é implorar para que a ajuda venha – enquanto pagam dízimos e indulgências.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Irminsul e a Luz Sagrada

IRMINSUL

A submissão dos Saxões e sua conversão ao cristianismo foi o maior ato do imperador Carlos Magno . O primeiro ataque foi o menor. Carlos Magno conquistou Eresburg e destruiu o Irminsul.

Assim ensina-se na história dos Germanos.

Mas o que era o Irminsul?

No Salão Real de Aachen uma pintura abrange uma parede: “A queda do Pilar de Irmin no ano de 722, um monumento de idolatria pagã dos antigos Saxões”. A mais ou menos 100 anos havia sido pintado por algum pintor um Irminsul grotesco, como um fetiche, como um “monumento de idolatria”.

Burrice!

O Santuário Germânico de Eggesternsteine em Detmold fora destruído pelo imperado Carlos Magno através da crucificação. Todos nos aprendemos e temos conhecimento sobre o cristianismo e o que ele fora: crucificação. Incontáveis são as representações da morte do Nazareno, cuidadosamente jovem, com seu furo na costela e cheio de estigmas. Eles utilizam uma escada.

Sobre a formação rochosa do Eggesternsteine há uma escada, aonde se encontra um jovem sobre uma forma retorcida para chegar à cruz mais alta. Muitos estudiosos desconheciam essa construção. “Um trono” – clamaram – “um jovem está crucificado sobre um trono, enigmático”. Até que alguém veio e falou – “Isso é o Irminsul quebrado, um jovem Cristo o chuta com o pé”.

“Um jovem Cristo o chuta com o pé” o mais autêntico dos símbolos germânicos. E esses pés são cortados pela imagem, agora o jovem está pendurado no ar, agarrado a uma cruz. Quem cortou os pés? Era de conhecimento do povo o que eles silenciosamente estavam fazendo?

O quebrado Irminsul na cristianizada formação rochosa do destruído Santuário Germânico era testemunho de seus modos e de seus sentidos: Era o símbolo da vida eterna, da luz sedutora nascida do ventre da terra. Como a flor criada, como a semente que brota, como a árvore que os ramos apontam para o céu; assim estava o Irminsul no halo do sol.



LUZ SAGRADA

Dia e noite e, verão e inverno dividem o ciclo da Terra e da Luz Eterna. O fogo arde no solstício, transformando a morte em vida, pois toda a vida da terra é luz convertida. A eterna luz do Sol e dos sóis.

“Deixa no Sol” – balbuciava uma jovem e impotente mãe de uma criança que não tinha forças pra viver. – “Deixa no Sol” – uma oração.

Na fogueira experimentamos certamente a eterna transformação da morte em vida, o eterno ciclo, a ressurreição: sugere assim o consumo completo da madeira pelas chamas, cujas cinzas são levadas pelo vento. Assim veio a força da vida, onde a madeira e a luz do Sol abençoam a germinante e crescente Terra, que à luz do fogo da Luz Eterna que fora doada.

Os sacerdotes cristãos conhecem o poder da fé na Luz, por isso pintam sóis sobre as cabeças dos seus santos e os chamam de “auréola”.

Uma honraria aos heróis ocorria quando seus corpos eram entregues às chamas, sendo recebidos pelas incorruptíveis forças da vida. Os nórdicos não conheciam nenhum tipo de múmia, ou trabalho inútil que inibe a transformação. “Um materialismo estéril” – vos digo. Mas o que é o idealismo sem matéria? No mínimo um idealismo estéril.

Conflito – é no conflito entre “Deus e Diabo”, “Reino dos Céus e Inferno” e “corpo e alma” que mora a nossa desgraça por malditos milênios. Na vívida animação do todo, Deus nos é renascido.

O fogo que arde nas noites de inverno, arauto da vez.

Solstício – Consagração.





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Os textos acima são trechos do livro "O Calvário Nórdico" de Werner Graul.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Virgin Megastore vende Mein Kampf no Qatar

Esses tipos de lojas têm o tamanho de um "shoping center" e vendem cds, dvds, livros, jogos etc.. Sempre existe um ranking como um top 10, na platileira logo quando se entra na loja; e outra platileira de "recomendações" ao publico.

Justamente na prateleira de recomendações é que se encontrava o livro, em árabe.



A imagem foi divulgada pelo Tweeter e logo a loja retirou o livro da prateleira. A Virgin Megastore disse que as lojas são individualmente responsáveis pelas divulgações e classificou o caso como isolado.

Fonte: Metro

Ok, compreendo que tiraram hahahahaha (pois a loja é mundial).
Mas achei interessante o fato de ser em árabe. Isso sim é algo que vai contra a maré. ao menos para o público em geral). "Allahu alAkbar!"

Agradecimentos ao camarada Eduardo, que enviou a notícia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

1917: Apoio britânico ao movimento sionista

"Caro Lorde Rothschild, alegro-me em poder comunicar-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelo movimento judaico-sionista, apresentada e aprovada pelo gabinete oficial: 'A construção de uma pátria para os judeus na Palestina é vista pelo governo de Sua Majestade com bons olhos.

Sua Majestade fará tudo o que for de seu alcance para facilitar os caminhos rumo a esse objetivo. Deve-se ressaltar, no entanto, que nada deve ser feito no sentido de prejudicar os direitos civis e religiosos dos povos não judeus que vivem na Palestina, ou de prejudicar os direitos e a situação política de judeus em algum outro país."

Esta carta, datada de 2 de novembro de 1917 e assinada pelo ministro britânico do Exterior, Arthur James Balfour, prevê uma série de consequências para o Oriente Médio. Mas Lorde Rothschild e outros dirigentes da comunidade judaica, entre eles principalmente os sionistas no Reino Unido, esperavam ainda mais.

Há, no mínimo, 19 anos – desde o Congresso dos Sionistas em Basileia, em 1898 – eles ansiavam por uma promessa que assegurasse aos judeus o direito a seu próprio Estado, como havia planejado Theodor Herzl no seu livro O Estado Judeu.

Povo, não apenas comunidade religiosa

O sionismo político idealizado por Herzl partia do princípio de que os judeus são um povo e não apenas uma comunidade religiosa e de que as repetidas perseguições, pressões e desvantagens sofridas por esse povo poderiam ser evitadas com a fundação de um Estado judeu.

A localização desse Estado era ainda considerada de segunda ordem: cogitava-se a hipótese de enviar os judeus à Argentina, ou o chamado Projeto Uganda, que previa a fundação de um Estado judeu no território da Uganda, então administrado pelo Reino Unido.

Entretanto, a Palestina sempre voltava ao centro da discussão: a terra originária dos judeus, onde os representantes da comunidade judaica começaram a comprar terras e a estabelecer-se, a partir do fim do século 19. Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, os judeus formavam apenas 15% da população da Palestina, na época de 690 mil habitantes. Destes, 535 mil eram muçulmanos, 70 mil cristãos e 85 mil de origem judaica.

A carta do chanceler Balfour refletia, porém, muito mais os interesses geopolíticos de Londres na região do que um apoio sem reservas do Reino Unido ao movimento sionista. A Primeira Guerra Mundial tinha eclodido, e a Inglaterra contava com o apoio dos judeus – tanto dos que viviam na Palestina, quanto dos que estavam espalhados por outros países do mundo – na luta contra o Império Otomano.

Por isso, Londres prometeu algo que não estava em condições de realizar: uma pátria para os judeus numa região que ainda não estava sob o seu controle.

Resistência palestina

A responsabilidade sobre o território palestino foi transferida para o Reino Unido somente no dia 24 de julho de 1922, sob a forma de um mandato da Liga das Nações. Parte da Declaração de Balfour pertencia ao preâmbulo do contrato que regia o mandato, o que se transformou logo num grande empecilho para a administração da região. A resistência dos palestinos árabes à imigração de judeus já tinha começado há algum tempo, crescia paulatinamente e levava, entre outros, a campanhas antijudaicas.

O Reino Unido, situado entre as duas frentes, tentava evitar a violência dos dois lados e limitar cada vez mais a imigração judaica para a região. Em 1939, ficou estabelecido que somente mais 75 mil judeus poderiam instalar-se na Palestina. Na época do holocausto nazista, tratava-se de uma decisão completamente fora da realidade. A partir de 1944, o estabelecimento de judeus na Palestina foi oficialmente vetado, a fim de assegurar aos Aliados o apoio dos palestinos árabes na guerra.

Antes da transferência do mandato da Liga das Nações, em junho de 1922, o Reino Unido deixara claro que a Declaração de Balfour nunca fora uma resposta positiva à criação de um Estado judeu. O então ministro das Colônias, Winston Churchill, observou que a declaração não se referia a toda a região histórica chamada Palestina, mas apenas à margem ocidental do Rio Jordão (a Cisjordânia).

Churchill acentuou ainda que os ingleses nunca tinham pensado em conceder aos judeus o poder sobre os outros habitantes da região. A comunidade judaica que ali vivia deveria apenas poder desenvolver-se livremente.

Tais posições não puderam ser sustentadas por Londres durante muito mais tempo, uma vez que os conflitos entre árabes e judeus tornavam-se cada mais frequentes. Em 1947, a ONU deliberou a divisão da Palestina em dois Estados: um para os judeus e outro para os árabes. O Reino Unido abdicou do seu mandato em maio de 1948, quando foi proclamado o Estado de Israel.


Theodor Herzl foi o mentor do sionismo político



Fonte: Calendário histórico DW, postado no dia 3 de novembro de 2011.


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